Suicídios sobem 12% e Ministério da Saúde prepara Plano de Prevenção

Os casos de suicídio no Brasil subiram 12% em cinco anos: o número foi de 10.490 em 2011 para 11.736 em 2015. Nesse período, 55.649 cidadãos tiraram a própria vida.

Nos anos do levantamento dos dados do Ministério da Saúde, os homens foram os que mais morreram por suicídio: 79%. As mulheres representam 21% dos suicídios consumados, mas são elas que mais tentaram tirar a própria vida: 33,2 mil – 69%.

“Os dados são do primeiro Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil, divulgado na quinta-feira (21) pelo ministério.
A notificação de casos é muito importante, para que consigamos visualizar onde se encontram as regiões com maiores indicadores e reunir esforços para diminuir as taxas de suicídio”, disse à Agência Saúde a diretora do Departamento de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Maria de Fátima Marinho.

A psicanalista membro da Sociedade de Psicanálise de Brasília Daniela Prieto comemora a iniciativa do ministério de colher e divulgar os dados, mas diz que os casos de suicídio ainda são subnotificados. “Geralmente, os casos que são registrados como suicídio são os de enforcamento, porque fica mais difícil de camuflar. Em muitas tentativas, principalmente com medicação, as pessoas nem vão para o pronto-socorro e não são socorridas ‘oficialmente’.”

Prevenção

Nos municípios em que há CAPs (Centros de Apoio Psicossocial), o risco de suicídio é 14% menor – isso reforça que ele pode ser evitado.

Para atingir a meta de reduzir 10% o número de mortes por suicídio até 2020, o órgão prepara o Plano Nacional de Prevenção do Suicídio. Há ações programas, como o lançamento anual do boletim epidemiológico, capacitação de profissionais e expansão dos Caps em regiões de risco.

Cartilhas para orientação sobre como falar do assunto direcionadas para jornalistas, profissionais da saúde e a população em geral estão disponíveis no site oficial.

CVV: de portas (e coração) abertos para escutar

É um pequeno espaço com o teto baixo, duas salas na frente e uma copa atrás. Em cada uma das salas, uma poltrona e um sofá – para receber quem queira falar pessoalmente – e um telefone, para atender quem prefere ligar. É aconchegante – e essa é a intenção: que as pessoas se sintam à vontade para conversar.

O posto do CVV (Centro de Valorização da Vida) em Brasília fica no Edifício Brasília Rádio Center, na 701 Norte. O voluntário Márcio Peixoto, 43, explica que o trabalho do CVV é diferente de um bate-papo com um amigo, e não é uma terapia. “O CVV não julga, não dá conselho. O CVV tenta ser para as pessoas um espaço de escuta”, explica.

O CVV está presente em 18 Estados além do DF e há diferentes formas de atendimento além do presencial – as pessoas, por exemplo, podem procurar apoio emocional por meio dos telefones 141 e 188 – em alguns locais –, por chat no site oficial e até por carta.

Atualmente, o CVV Brasília tem 70 voluntários, mas precisa de mais. No sábado, às 14h, começa o treinamento de novos voluntários na Unopar, que fica no mesmo prédio. Não é preciso fazer inscrição antecipada, basta aparecer.

Fonte: Jornal Metrô

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